Linhares, ES - 23/09/2017

Simone e Simaria falam de preconceito no sertanejo: 'Mundo machista'

Se no Nordeste Simone e Simaria já eram consideradas as "rainhas da sofrência", hoje, com apresentações marcadas por todo o país, a dupla que mistura sertanejo com forró tem uma certeza: já conquistou também o Brasil. Com 20 shows por mês, público de 1 milhão de pessoas em show aberto e mais de 24 milhões de visualizações no Youtube, a dupla de cantoras é um fenômemo musical. E para elas existe uma explicação.
 
"Nosso sucesso é reflexo da qualidade das músicas que a gente entrega. O repertório faz toda diferença, porque quando o público gosta ele vai cantar junto, ele vai ouvir fora dali. Não adianta ter um palco gigante e cinquenta bailarinos se o seu repertório não é bom. Quando a música é boa a voz pode até ser ruim que o povo segue", ressalta Simaria que fica responsável pelas produções musicais com parceiros de composição da dupla.
 
Mas, segundo elas, cantar sertanejo (forró e tantos outros rimos regionais) é uma dificuldade quando se é mulher. "A música sertaneja, principalmente no Nordeste, é um ambiente muito masculino, um mundo machista. Os empresários e os próprios artistas têm uma cabeça mais fechada quando o assunto é a participação igual da mulher na música. Já no Sudeste isso não acontece, é mais natural. Só que tiveram que engolir a gente", brinca Simaria tirando uma gargalhada da irmã Simone: "Nosso show não tem nada demais: é só uma luzinha ali e a gente com a nossa música".
 
Além de vencer o preconceito, elas, que começaram suas carreiras como backing vocals do cantor Frank Aguiar, precisaram ponderar até decidirem qual caminho seguir: o de encontrar um novo rumo para suas carreiras ou de permanecer com o cantor. Deste tempo, Simone e Simaria guardam lembranças de aprendizado e só. "Não temos nenhum contato com o Frank. Até porque, quando aconteceu o nosso desligamento dele, ele nunca veio perguntar se precisávamos de alguma coisa ou não, nunca nos ajudou. Nem ele apoiou a nossa saída. Só que nossa escola com ele foi muito boa, nós aprendemos muito com ele, principalmente o lado do marketing para formar a carreira. Mas a relação não estava mais funcionando, não que acontecesse alguma falta de respeito. Só acabou", relembra Simaria sem mágoa do cantor.